História de Vida



Escrevi este artigo depois de um dos momentos mais marcantes da minha vida – quando 
voltei do Haiti, depois de ver uma nação destruída por um terremoto. Espero que acenda uma chama em seu coração como acendeu no meu.  
Viagem ao Haiti
(10 a 17 de Março, 2010)
I. Dois Mundos
Meu Deus. Nunca esperei que pudesse ver a destruição de uma nação. Ao caminhar nas ruas, me deparava com crianças sujas e desoladas, chorando sem consolo. Podia sentir o cheiro de morte, algo que somente soldados podem compreender.
Nós fomos à guerra. Um pequeno grupo de missionários e pastores guiados por Deus para ajudar na distribuição de água e comida para vilarejos em Port-au-Prince. Fomos para ajudar a Igreja Sofredora, parte do mesmo corpo dos que crêem em Jesus. Mas nós que fomos ajudados. Como poderia eu descrever em palavras o que é um haitiano que perdeu sua casa e família cantando “merci, Seigneur Jesus”, louvando a Deus pela alegria da salvação?
“O que você vai fazer agora que você perdeu sua perna?”, perguntou um moço bem intencionado para uma menina que mal podia andar.
“Está tudo bem. Eu ainda tenho a outra.”
Conheci uma mulher chamada Marie Ange. Uma professora que estava doente no dia do terremoto, e então não foi à escola que desabou, matando a muitos. Ela cantou uma música em crioulo, língua dos haitianos, que dizia na simples e pura expressão de um coração amável:
“Eu não tenho nada para te dar
Somente minha voz
Por toda minha vida”
Ela cantava com sua alma, entregando sua vida como um incenso aos céus. E por isso creio em dois mundos: um mundo de viver para si, e o outro, de não viver para si.
II. Caos Total
Uma pessoa inesquecível é o pastor Vijonet, haitiano formado em Harvard, com menções honrosas pelo governo por seu auxílio durante a catástrofe. Nós o entrevistamos e vimos o tamanho conhecimento e determinação deste homem de Deus. Ele dá sua vida por suas ovelhas, deixa de comer para que eles comam, se entrega por inteiro.
Comida é um assunto delicado. Não existe almoço ou janta. Nós vivíamos de barras de cereais e de vez em quando tínhamos a honra de comer tripas de bode com banana assada. Debaixo de um sol escaldante, a sede era anormal. Tomávamos a água aquecida pelo sol quando havia água. O banho era de caneca, preservando água. O sono era pouco, e o trabalho árduo. As moscas nos acordavam as 6 da manhã e íamos para a cidade cinzenta com rios de lixo e concreto por toda parte.
Minha rotina era de acompanhar o diretor do documentário sobre o Haiti para ajudar a traduzir, carregar microfones, colaborar com idéias, auxiliar na logística e planejamento do que faríamos cada dia. Submergimos na vida dos haitianos para compreender o que eles passam, para que as entrevistas fossem conversas de algo que realmente experimentamos.
E eu experimentei algo único na minha vida: viver no caos total.
E eu entendi o que é anunciar as boas novas aos pobres.
E eu entendi que dar é melhor que comprar,
pois dar deixa duas pessoas felizes,
e comprar, só uma.
III. Alegria?
Claro que nesta situação, ninguém espera que alguém possa sorrir ou ser feliz. Mas então o que explica centenas de haitianos cantando para Deus com tanto vigor em seus corações? Uma chama foi acesa neles. Este é o clamor pelo seu povo, juntamente com a alegria de ser amado por Deus. Parece paradoxal.
Eles não teriam razão para cantar, mas cantam.
IV. O que é Amar
Se eu tivesse um desejo a fazer, meu único pedido a Deus seria: Me ensina a amar e a ser amado.
O amor é o dom supremo. Eu também olhei as fotos no jornal e ignorei. Eu também gastei anos futilmente preocupando com o que eu iria fazer ou sonhar. Mas chegou a hora de amar.
Conheci um menininho chamado Darley Dumesle. Ele tinha problema de arritmia e falta de ar todas as noites. Eu e a Pra. Helena da Lagoinha pudemos orar por este menino, e desde que oramos, ele não teve mais estes problemas. Foi curado, para a alegria imensa de sua mãe. Outra mulher foi curada de uma dor nas costas, outros se batizaram e receberam o Espírito Santo.
Quando Jesus foi perguntado se ele era o Cristo, ele respondeu que os cegos viam, os coxos andavam, e que o evangelho era anunciado ao pobres.
E então eu descubro que amar é ultrapassar os limites das coisas naturais em uma doação intensa e voluntária. Como foi lindo e impactante amar os haitianos. E enquanto respiro, como e tomo banho, sou grato.
Aprendi que viver é mais que respirar.
Viver é transpirar. É Expirar.

Cia Casa de Davi

A arte a serviço do Reino. 

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