TESTEMUNHO

OI...
Muito lindo este testemunho...

Testemunho de uma bailarina (Contado por Susie, nome fictício).

"Pelos vales que passamos
Desertos que enfrentamos
Um caráter é gerado em nós
Simplicidade nasce
Perseverança é real
E assim entendemos que o que somos
Reflete no que fazemos"

O título e o poema, ambos criados por Gisela Matos (líder do ministério Dança pelas Nações), diz exatamente o meu contexto de vida. O meu caso não é como o dela, mas essas palavras cabem a mim também. O meu testemunho de vida não é tão chocante. Ao contrário de pessoas que tiveram vidas frustrantes e foram salvas, o meu passado jamais foi monstruoso. Pessoas contam casos como: "Eu era drogado e criminoso, mas Jesus me trouxe para a luz da sua glória e hoje sirvo a Ele!” “ou” Nunca ninguém me incentivou, passei por lutas, mas Deus me capacitou. “Eu aprendi a dançar já velha, mas Deus me ajudou...” São lindos testemunhos, mas não é o meu caso. Então, para começar a minha história, vou contar um pouco de mim:
Meu nome é Susie, tenho 17 anos e moro em Curitiba. Faço parte da Comunhão Cristã ABBA em Almirante Tamandaré, e sou integrante do ministério de dança.
Ok, vamos começar bem lá do começo meeeeesmo.
Eu tinha 12 anos quando comecei a freqüentar a ABBA em Tamandaré. Antes disso eu era metodista, e minha mãe era missionária. Ela faleceu quando eu tinha 11 anos, porém o casal de pastores da ABBA de Tamandaré, Alcemir e Juceli, eram os melhores amigos dela e moravam do lado da minha casa. Então eles praticamente viraram meus pais, pois me apeguei muito, e comecei a freqüentar a igreja onde pastoreavam.
Eu nasci em "berço cristão". Minha mãe, como boa missionária que era, me disciplinou bem e me ensinou os mais preciosos princípios da palavra de Deus. Desde pequena eu já era muito apaixonada por Ele e pelas coisas Dele. Pra minha idade eu sempre sabia demais da bíblia. Porém, como filha caçula (tenho 4 irmãs e 1 irmão), eu tinha quase toda a atenção da minha mãe, já que quando nasci minhas irmãs já tinham 14 anos pra cima.
Desde bem pequena eu era viciada em artes. Amava desenhar, pintar, escrever e... dançar! Na verdade de dança eu não sabia nada, só via na TV e começava a imitar. Pedi muitas vezes á minha mãe que me colocasse numa aula de ginástica ou balé. Ela só riu e não fez o favor. Com 7 anos minhas irmãs diziam que eu já estava velha! Eu entendia que minha mãe não tinha condições financeiras, pois éramos muito humildes, mas sempre tive uma esperança.
Mais ou menos nessa mesma idade, o Diante do Trono lançou seu primeiro CD, e a minha mãe e minhas irmãs se apaixonaram pelo estilo do louvor ouvindo o dia todo. Passei a gostar bastante também e cresci ouvindo DT todo dia. Mas aí, descobri que a Igreja Batista da Lagoinha tinha um ministério de dança! Um ministério de DANÇA! Fui á loucura. Dança? Na igreja? Pra Jesus? uhhhhh eu quero!
Vi pela primeira vez uma dança ministerial e disse: algum dia vou entrar para um ministério de dança! Quase matei a minha irmã, que era a ministra de louvor da igreja onde minha mãe era missionária, para que fizesse um grupo de dança lá. Eu ainda não entendia nada, mas tudo bem. Ela nunca soube dançar mesmo.
Foi nessa época também, que a minha mãe conheceu aquele casal de pastores de Almirante Tamandaré, que moravam do lado da nossa casa. Morávamos em Curitiba ainda, mas bem perto de Tamandaré, que é região metropolitana. Então a minha mãe se envolveu demais com o ministério da Comunhão Cristã ABBA, e passou a fazer cursos e visitar a ABBA de Curitiba. Como eu era a menor, absolutamente sempre minha mãe me carregava junto, como se eu tivesse coleira, pra onde ela fosse. E, quando fui pela primeira vez na ABBA de Curitiba, fiquei pasma e eufórica ao mesmo tempo. A igreja já era enorme, as músicas eram muito alegres e cativantes, um convite para se dançar, e as pessoas dançavam e pulavam nos corredores mesmo, coisa que jamais tinha visto na Metodista, que era puramente tradicional. Hoje eu glorifico a Deus pela ótima oportunidade que me deu ao me fazer crescer em disciplina na Metodista, mas também glorifico a Ele por ter me feito conhecer o outro lado, não apenas o tradicionalismo, mas o Espírito de alegria. E foi nessa visita que eu vi com meus próprios olhos um ministério de dança ao vivo e a cores. Quase morri.
Passei a suspirar por dançar algum dia, mas seria melhor se fosse pra Deus.
Então, quando minha mãe faleceu, outra pastora assumiu o ministério dela na metodista. Minha irmã Rita, que era a ministra de louvor, passou a tomar conta de mim junto com meu pai. Meu pai ia de vez em quando à igreja com minha mãe, aceitou Jesus, mas nunca creu na bíblia. Foi sempre um tanto ausente. Pai provedor financeiro, mas não presente. Por isso quem me criou foi minha mãe e minhas irmãs. Quando ele se viu sem minha mãe, olhou pra mim e se viu numa enrascada. Para a sorte dele todas as minhas irmãs já estavam casadas e podiam ajudar. Agora ele tinha que ser pai para mim e para o meu irmão, coisa que ele não sabia o que era.
A Rita, que era muito amiga também desse casal de pastores, Alcemir e Juceli, resolveu sair da metodista e começar a freqüentar a ABBA em Tamandaré, pois mais do que nunca, precisávamos de pastoreio e crescimento espiritual. Ela levou meu irmão e eu junto. Minhas outras irmãs ficaram na metodista, indo pra ABBA um tempo depois.
Mas me lembro da primeira vez que eu fui num culto de verdade da ABBA em Tamandaré, com meus 12 anos. Antes disso eu só tinha ido aos retiros deles. Mas quando cheguei, a igreja fervia num louvor estremecedor. A ABBA de Tamandaré era reconhecida entre as outras ABBAs pela alegria sobrenatural. Proporcionava uma vontade intensa de dançar! No fim do culto o pastor fez o apelo por Jesus. Lembro de ele ter dito “mesmo você que já aceitou Jesus, mas nunca fez isso diante dos homens, venha". E eu fui. E quando cheguei à frente, a Fran, que é minha líder de grupo familiar hoje, estava dançando. Muito simples a dança dela. Mas aí eu pensei: estou em casa, vou entrar para este ministério! Chegou a minha vez!
Passei a freqüentar, mas não podia entrar no ministério enquanto não saísse da integração e passasse para grupo familiar. Enquanto isso eu e minhas amigas já sabíamos todas as coreografias só de olhar e imitar. Quando consegui entrar para o ministério, ninguém mais me segurava. O líder do ministério ficava de cara. Eu dançava mal, mas pegava todas as coreografias num pulo! Eu assistia as meninas do Mudança e imitava tudo. Já que ninguém no ministério queria se aperfeiçoar em dança, eu resolvi aprender por conta própria. Então eu apenas olhava os vídeos do Mudança e sugava tudo: "olha! com ponta de pé fica mais bonito", " a postura delas é tão diferente", "olha o jeito que elas erguem as mãos!".
Aprendi por treinar. E minha melhor amiga, a Carol, fazia o mesmo que eu.
Éramos viciadas em dança. Criávamos coreografias próprias bem mais complexas que a do ministério, buscávamos a perfeição, e cada uma criou um estilo único ali. Eu não morava perto da igreja, então fazia de tudo para ir aos ensaios e conseguir algum dinheiro para as roupas. Torcia para estar na escala no fim de semana, mas o ministério era muiiito grande, apesar de quase totalmente "primitivo" e sem absolutamente noção nenhuma de técnica, e nem sempre eu podia. Mas era fácil perceber que as pessoas não levavam muito a sério tudo aquilo, pois eu sempre ia com uma mochila enorme com todas as roupas da dança pra igreja sabendo que alguém ia faltar ou não iria querer dançar e eu tapava o buraco. Eu SEMPRE tapava buraco. Eu era muito tapa. Não tinha pessoa mais tapa na igreja que eu. Hahah.
Mas vocês devem pensar "Ok, tudo perfeito. Você era assídua e compromissada. Via o que ninguém via ali. Deus honra, e tudo bem.".
Infelizmente não era assim. Como eu disse, eu me destaquei demais. As pessoas chegavam para mim e perguntavam a quanto tempo eu fazia balé! Eu não sabia nada de dança, eu só imitava e criava meu estilo.
E aí começaram a falar de mim. "“A Susie só tem técnica, ela nunca adora”, “a Susie se acha”, “ a Susie isso... a Susie aquilo"
E uma vez me disseram " pessoa que nasce na igreja nunca vai pra frente. Principalmente filho de pastor. Sempre se desvia na adolescência. Nunca conheceu o mundo, sente curiosidade e se desvia. Ou nunca passou por alguma necessidade de verdade e então não precisa tanto de Deus. Passou a vida toda sabendo Dele, então não vai querer buscar mais, pois já está acostumado. São as pessoas que menos prosperam na igreja. Raramente tem encontros tremendos com o Espírito"
Isso me encheu de temor. Eu não queria me desviar na adolescência! Era esse o meu destino? Ser fria em Deus? Então eu me agarrei no ministério. E disse pra Deus: "Daqui não saio , daqui ninguém me tira! Se a vida me quebrar as pernas o Senhor vai me arrastar!"
Só que a minha vida pessoal era podre. Eu era só uma adolescente. Nunca fiquei nunca namorei, nem mentia, pois eu sabia os princípios. Mas eu era arrogante. Criei uma defesa natural, uma barreira para as pessoas. Eu subia pra dançar, e não era qualquer um que conseguia dançar comigo, e sabia que era melhor que todo mundo. O líder se desviou mesmo espiritual do jeito que era. Veio outra líder, que era espiritual também, e se desviou. Eu não era popular na igreja, só era melhor que todos eles juntos. Eu queria mais, mas eles não. Eu queria saber mais sobre a dança como meio de profetizar e curar, mas eles diziam que eu era só técnica, eu não ministrava, eu apenas fazia shows.
E passei a minha adolescência assim: Susie! A menina da técnica! Enquanto a Carol, que era bem boa também, era mais humilde, sempre mais chegada ao Pai, e todos diziam pra eu ser como ela. A igreja me amava, mas não ia muito com a minha cara. Isso magoava, então eu era mais eu mesma. Eu me achava, mas nunca era estúpida com as pessoas. Eu continuava sendo querida fora do altar. Era só eu subir para dançar que o bicho pegava.
No meu coração eu queria que a minha dança fosse adoração genuína, eu queria que fosse mais do que lindos movimentos. Eu queria ministrar como o Mudança! Mas era inevitável a minha hipocrisia. Eu não buscava a Deus como queria, apenas sabia muito da bíblia e os seus princípios eram bons pra mim, mas não era tudo. Eu era sedenta, mas escondia isso e afogava na minha técnica. Eu era auto-suficiente.
 Mas não queria ser assim. Eu era metida mesmo, apesar de ser introvertida. Mas no fundo eu queria ser como a Carol, como todos diziam. Por que todos a aceitavam, mas não eu, apesar de ela ser a minha melhor amiga e me amar como uma irmã. Totalmente o contrário uma da outra, mas nos entendíamos muito bem.
Quando a Kelen entrou como líder, eu já compreendia mais sobre a dança. Com 15 anos eu pedi a Deus uma aula de ginástica rítmica. Eu quase que duvidei que Deus fosse responder. Era improvável e eu não sentia que merecia, por causa da minha falta de humildade. Mas enfim, passei na prova do Colégio Estadual do Paraná, onde havia GR, pra cursar o ensino médio. Foi uma benção de Deus, mesmo imerecida, pois ninguém acreditava que eu ia passar na prova. Enfim entrei pra GR, onde quase não me passaram no teste por causa da minha hiper extensão do cotovelo. Fiz um ano de GR, onde ganhei elasticidade, força e um pouco de técnica de verdade. Depois daí ninguém me segurava mesmo. A Kelen dizia que era para dar o máximo de nós para Deus, isso incluía que todo o ministério deveria buscar ter abertura total, então eu fazia os mais exagerados saltos e movimentos, e passei a ser a coreógrafa junto com a Carol.
Então eu fazia coreografias mais puxadas para exigir mais deles, para que se esforçassem. Deu certo com alguns. Os movimentos legais todos queriam. Todos queriam fazer saltos lindos, mas ninguém queria se alongar ou fazer exercícios. Ponta de pé era coisa rara! Eu amava ensinar eles, só me sentia mal por que eles não se esforçavam.
Eu não era boa em ensinar. Mas a Carol sim. A Kelen pelo menos entendia a gente, e buscava aprender também. Ela começou a fazer aulas de balé, e isso ajudou a gente. Então quando eu terminei o meu primeiro ano de GR, esperava continuar, mas a nossa treinadora saiu do colégio, dando lugar a uma outra que de GR não sabia nada. Embora essa nova “treinadora” soubesse tudo de jazz, ela não ensinava nada, apenas passava coreografia. Quase toda a equipe que treinava no ano anterior saiu por causa dela, deixando só as novatas que nunca fizeram uma ponta de pé na vida. Como era o começo do ano, eu ainda não via os prejuízos que ficar ali podia me trazer, mas era melhor do que não fazer nada. Minha esperança acabou. Deus me deu o que pedi pra perder logo em seguida? Será que eu não estava fazendo o que Ele planejava? Preferi ficar com a idéia de aguardar naquilo até Ele prover algo melhor pra mim. Nisso, eu já tinha decidido que dança ia virar a minha profissão.
Aí, um dia chuvoso eu estava saindo do treino cansativo e nada frutificante, um tanto frustrada, parei para dar tchau pra minha amiga Jai, que fez GR comigo no ano seguinte e que tinha acabado de desistir de ir aos novos “treinos”. Eu perguntei a ela se ela ia parar mesmo com a GR, afinal era melhor que nada, e ela disse que sim. Fiquei triste por que achei que ia enfrentar sozinha aquilo. Então perguntei pra onde ela ia naquele momento, pra ver se o caminho era o mesmo e então eu iria conversando com ela. Aí ela me respondeu:
- “Ah! Eu to indo lá na UFPR fazer a inscrição pro teste de dança que a Adri (antiga treinadora) disse que tinha”.
Eu prontamente respondi: “Olha, pelo menos você tem uma chance, por que eu vou ter que me contentar com isso”.
E ela disse: “mas você também pode Su! É o ultimo dia de inscrição, vamos lá comigo!”
Fiz aquela cara do tipo “Ahn?” e fiz a pergunta mais obvia: “tem que pagar quanto?”
"Nada, é de graça. Dizem que lá é nível profissional, que em 3 anos você já pode até dar aula, só que tem um teste né.”
Eu estava louca pra ir pra casa, mas é claro que resolvi ir lá ver isso. As inscrições estavam abertas por um mês, e eu nem sabia da existência do curso. Como meu pai e minhas irmãs nunca tomavam conta dessas coisas, eu podia fazer quase tudo na maior liberdade. Eles querendo ou não eu ia fazer. Eu tomava conta de mim mesma, e eles sabiam que eu não faria besteira nenhuma.
Cheguei na Federal, que era logo ali perto do colégio, um tanto receosa. Descobri só na hora que era dança moderna que se aprendia ali. Dança moderna? Eu nunca tinha me interessado! As minhas amigas fizeram as inscrições antes de mim. A Juliana, que é uma das professoras, estava escrevendo as fichas. A Gabi, outra amiga minha, foi fazer antes de mim. A Juliana perguntou a ela: “quais as suas experiências com dança?” e ela prontamente respondeu: “ três anos de GR, mais dois de balé... ah! Eu gostaria de fazer a inscrição também pela minha amiga que não pôde vir”. A Juliana perguntou: “ E o que ela tem de dança?”. A resposta da Gabi eu não esqueço: “Ah! Três anos de Ballet no Guaíra, mais três de ginástica rítmica, e jazz”.
Fiquei de cara, o que eu estava fazendo ali? A Jai também tinha mais 2 anos de GR e umas experiências de balé. A Juliana virou pra mim, perguntou meu nome e o que eu tinha de dança. Eu respondi: “Olha, só um ano de GR no CEP”. Fiquei com medo, ela me olhou de cima a baixo e disse: “ Eu vou ter dó de você e colocar na mesma turma de suas amigas, Intermediário, para fazer o teste. BOA SORTE”
O teste foi uma semana depois. Eu jurava que não iria passar. Tinha meninas lá com 9 anos de clássico, 7 de jazz e etc. Sem falar nas veteranas. Eu ia passar uma vergoooonha!
Mas graças a Deus foi tudo bem. Eu nunca tinha visto bailarinos bons de verdade, exceto as meninas megaelasticas na GR. Passei no teste por um milagre! Pela primeira vez eu sentia que não era boa o suficiente pra estar ali. E o que foi melhor, eu passei para o Intermediário II, a melhor turma dos intermediários. Agradeci a Deus como nunca. E eu nem entendia o que era dança moderna ainda. Minhas professoras eram da Téssera Cia de Dança da Universidade Federal do Paraná. Eu tinha aula todos os dias, mais aula de improvisação coreográfica e aulas teóricas de dança com a Coordenadora da FAP (Faculdade de artes do Paraná).
Deus tinha me dado muito mais do que eu esperava! Eu não sabia nada de dança ali, apenas saltos da GR. Eu entendi que realmente eu não dançava.
A Kelen ficou feliz da vida, por que ela sabia que logo que eu aprendesse direitinho, eu podia dar aulas para o ministério e aperfeiçoar as coreografias.
Trabalhei duro no CDM (Curso de dança moderna), e tirei a 3° melhor nota da minha turma. Eu evolui rápido. Mas eu tinha duvida. Duvida se aquilo era pela graça de Deus ou por que eu tinha um dom. Deus dá graça aos que não sabem se chegar como devem a Ele? Deus daria graça a mim que não era humilde? Eu comecei a me perguntar se Deus realmente tinha algum plano pra minha vida ou se eu estava ali só para passar o que eu aprendia ao ministério, por que eu era a que aprendia tudo mais rápido.
Eu falava tanto do CDM no ministério que o povo já devia estar de cara comigo. O CDM supria a minha necessidade de poder fazer tudo o que eu podia sem criticas. Eu me sentia com um vazio por dentro. Eu era bailarina, mas não ministra embora eu soubesse que queria dança como profissão. E eu não queria que a dança no mundo fosse a minha melhor dança, mas eu queria que Deus olhasse pra eu dançando e sorrisse. Eu queria sentir que Ele dançava comigo. Eu buscava, mas não achava. Nisso, eu já tinha 16 anos e pela primeira vez eu vi que a minha situação era precária. Eu tinha virado “dark”, só escutava rock pesado (embora apenas músicas cristãs) e desenhava coisas místicas que representavam minha solidão. Eu tinha uma promessa para profetizar sobre grandes nações, e eu guardei isso no meu coração, só que eu era fria demais para acreditar que Deus me levaria. Afinal, eu achava que nunca poderia ser uma ministra de verdade. Entrei em depressão por que as pessoas me rejeitavam ainda, e eu não era aquilo que queria ser em Deus.
Meu pensamento mais constante era “só pelo fato de eu ser eu, não posso me achegar a Deus”. Eu senti um grande abismo nos separando. Eu estava errada quando subia no altar pra dançar, mas não me imaginava fora dali. Eu não queria sair dali e “dar um tempo até sair do pecado pra depois voltar” como fizeram tantas pessoas do ministério e se desviaram. Eu estava em pecado, mas não queria ser assim. Eu odiava meu orgulho.
Deus passou a peneira no ministério de dança, e muita gente saiu. Mas eu fiquei.
Eu tinha me mudado de casa, para outra cidade ao redor de Curitiba, mas mesmo assim eu não saí daquela igreja. Minha família estava ali. Eu sentia que ainda tinha uma esperança pro meu ministério.
“Porque há esperança para a arvore, se for cortada, ainda se renovará, e não cessarão os seus renovos. Se envelhecer na terra a sua raiz, e o seu tronco morrer no pó, ao cheiro das águas brotará e dará ramos como uma planta” Jó 14:7.
Eu nem lembrava desse versículo, mas eu ia todo fim de semana com a mochila cheia de coisas pra igreja, literalmente viajando de ônibus até Tamandaré. Dormia a casa de alguém e segunda feira ia pro colégio, depois pro CDM, e chegava de noite em casa. E até hoje é assim. Eu me entregava aos meus fins de semana. Também ia às quintas-feiras no ensaio da dança, dormia lá, ia pra casa sexta de noite e sábado de manha já tinha que ir pra igreja de novo. Eu não pensei em nenhum momento em parar de fazer isso. Eu me sentia morta de cansada, mas não pensava em deixar de ir à igreja. Eu morava mais em Tamandaré, na casa dos outros do que na minha. Eu gostava dessa liberdade de estar onde eu queria. Sempre tinha alguém pra me acolher. A Carol não agüentava mais me ver na casa dela. A Juceli e o Alcemir também.
Eu dizia pra Deus: “ Eu não sei se tenho solução Senhor. Meu pensamentos são todos idiotas. Eu mesma afasto a sua presença”. Eu não me sentia amada por Deus. E eu ainda sentia muito as feridas de rejeição e de mágoas com pessoas que mentiram para mim.
Algumas pessoas me tratavam da mesma maneira: somente pelo fato de você ser você, não pode chegar a Deus. Eu me achava um lixo por que não tinha nada para oferecer a Deus. Minha dança não valia nada.
Eu olhava o ministério crescendo, com um jeito único. Nunca vi em nenhuma outra igreja ou lugar um jeito de dançar como o nosso. Fico até hoje muito feliz com isso. Os olhos estavam se abrindo e ganhando visão. Nosso ministério recebeu uma palavra de que a nossa igreja seria conhecida pela dança e pela alegria.
Assim, mesmo numa luta por dentro, eu já não era mais metida. Eu buscava a Deus, sempre olhando meus erros, confessando e tentando corrigi-los. Embora eu dançasse na minha, a situação mudou. Eu não me achava a melhor bailarina do mundo mais, eu buscava dançar pra Deus, mas nunca conseguia nada e saia frustrada dali. Agora eu não sabia se estava dançando pra mim mesma ou pra Deus. No meu coração, o meu desejo era alcançar níveis maiores em Deus ali na minha dança, mas mesmo assim eu tinha a sensação que Ele rejeitava a minha dança, e que eu não tinha dado o melhor de mim.
Eu entrei em 2009 já tendo um retiro de jovens abençoado, o qual eu lutei pra não ir, mas Deus me pegou de jeito e me levou até lá! Nunca diga que não vai fazer alguma coisa nem morta, por que Deus pode te fazer mudar muiiiiito de idéia! O tema do retiro era “O Romper”, onde Deus, em 3 dias, me destruiu. Muitas áreas erradas da minha vida foram rompidas para a glória de Deus! E Ele ainda me deu duas lindas promessas e mudou a minha história.
A partir dali passei a buscar a humildade. Mesmo assim foi difícil. Passei a compreender melhor as coisas em relação á dança, e tinha outros projetos muito abençoados. Eu romperia exércitos com “armas não convencionais”.
Então, eu estava ainda lutando com o meu orgulho na dança, pois tinha acabado de fazer o teste para o novo ano letivo no CDM, e tinha passado, para glória de Deus, direto pra ultima turma da escola, o Acadêmico II. Depois desse nível vem só a Téssera. Ganhei de presente também, em vez da aula de improvisação, recebemos a aula de Composição Coreográfica.
Aí a Kelen nos passou a notícia que haveria aulas do ministério Dança pelas Nações na JOCUM em Tamandaré. Eu paguei os 20 reais para ir a quase toda a programação. No primeiro dia eu não pude ir, que era aula prática. Então eu fui à ministração de quinta feira á noite. Eu sabia que tinha algo especial ali. Sentei-me, cantamos, e então vi a irmã Gisela, muito humilde e pensei: “É capaz dessa mulher olhar pra mim e ver claramente uma pessoa arrogante. Eu gostaria de ser como ela, ter essa mesma autoridade, entender o que Deus tem para nós na dança e ser humilde”. Eu me sentia feliz por estar ali. Algo da parte de Deus pairava com tranqüilidade naquele momento. Eu não tinha trazido nada para anotar a ministração, mas logo pedi para umas irmãs umas folhas de papel e caneta. Eu precisava anotar aquilo! Deus ia falar comigo na certeza!
Gisela contou alguns fatos da vida dela e falou sobre ser profeta. Falou sobre a dança profética, e que o lugar de treinamento dos profetas é no deserto. Eu sentia que cada palavra da parte de Deus ali era viva para mim. ERA PARA MIM! Eu passei a entender e achei a primeira pista do que estava buscando. Preenchi as folhas com quase todas as palavras ditas por ela. A partir dali Deus fazia algo novo. Eu tinha entendido! Eu agora sabia onde Deus me levaria para tratar o meu caráter. E eu quis. Eu quase explodia de alegria ao pensar em ser levada ao deserto, e poder enfim ser tratada. Embora o deserto seja angustiante, com certeza será infinitamente melhor do que viver em orgulho e sem o Caráter de Cristo!
E eu não precisava mais pensar que aquela história de que crente que nasce na igreja está destinado a ser frio. E graças a Deus ter usado você Gisela, eu passei a entrar no deserto. Eu tinha tido algo mais ou menos do tipo: “Eureca! O diabo se ferrou agora, ninguém mais segura meu chamado em Deus!”
Enquanto eu passei a vida enrolada em pequenos probleminhas técnicos de caráter, e não tinha prestado atenção como Deus queria me usar para fazer um estrago nas obras do diabo e para levar a glória Dele, o diabo não precisava se incomodar comigo. Eu tinha falta de entendimento, eu era cega, e isso me fazia inútil. Passando eu a enxergar, virei ameaça. Então o próximo passo do inimigo não era mais a tentação, era a acusação.
Nos outros dias desse evento na Jocum, que tinha as aulas técnicas, eu passei mal do estômago e não pude ir. Só aquela ministração valeu por tudo do mesmo jeito. Eu não precisava chegar lá com a minha auto-suficiência inútil pra mostrar que eu sabia algo, então eu vejo isso como algo da parte de Deus.
Eu fiz 17 anos alguns dias depois, e não recebi nada de ninguém. Eu ainda estava ressentida com algumas coisas. Meu aniversário pela primeira vez que eu me lembro, caiu num sábado. Eu fui dar aula para as meninas do ABBA Teen, que é o ministério de dança das adolescentes, onde eu e a Carol somos líderes.
Mesmo já bem enturmada com as meninas do ministério, e já tendo a mesma visão e união com elas, eu ainda me sentia deslocada. E naquele dia, o meu aniversário, quase ninguém se lembrou de mim. Pela primeira vez o único presente que recebi foi uma bailarininha de gesso de uma das meninas da dança. E só.
Então, a minha “mãe” adotiva, a Juceli, pastora da igreja e tem o ministério profético chegou, me abraçou e declarou: “A partir de agora você é uma flor que desabrocha, e uma rainha que se forma...”. Foi o melhor presente que eu recebi na minha vida. Por que a partir dali eu comecei a avançar a passos largos. Eu li o livro “profetas da dança”, onde aprendi mais ainda sobre a dança como modo profético, que liberta, que cura, e como eu devia buscar aquilo. O ministério passou a entrar em uma comunhão maravilhosa, e contavam comigo para servir ali. Eu aprendi a gostar de servir!
Então veio a parte ruim da história. Eu passei a ser afligida espiritualmente e emocionalmente. Batalhas espirituais que jamais enfrentei começaram a surgir. E eu não sabia o que era.
Como eu tinha feito um teste de MBTI (teste de personalidade específico) e descobri que eu era uma “INTP”, ou seja, uma introvertida racional (somente 2% da população é assim), fiquei bem ligada no motivo de eu ser tão deslocada. Eu não tomava nenhuma decisão baseada em sentimentos e emoções, embora eu pudesse ser amorosa e atenciosa com quem eu bem entendesse. Cheguei pra Deus eu disse: “Ah, que ótimo saber que eu não penso absolutamente igual á ninguém aqui e ainda vivo dentro da minha mente com minhas imaginações complexas. Isso serve pra alguma coisa Senhor?”
Como eu não ligava pra sentimentos, eu era muito guerreira e forte, eu não sofreria nada se fosse afligida com palavras de outras pessoas ou situações. Eu tinha fé demais que não sairia da presença de Deus. Então, a parte de mim que mais me movia, a mente, poderia me acabar. Então passei a sofrer acusações. Vozes inundavam meus pensamentos. A voz do meu eu, e a voz do diabo. Contra Deus eu nunca pensei nada, apenas surgiam duvidas doloridas. Eu sentia que ainda Deus rejeitava a minha dança, e que Ele não sentia saudades de mim, e que eu nunca seria aceita na presença dEle. Que Deus nem sequer me ouvia, e que Ele não ia me responder. Eu passei a enfrentar uma incredulidade que eu jamais pensaria em ter. Era muito mais que isso. Eu pensava: “O que você está fazendo nesse ministério? Você não vale nada aí. Veja, todos adoram, até a Carol chama a presença do Pai, mas você não. A única coisa que você sabe fazer de bom, não vale nada.”
Eu passava madrugadas chorando, e gritava no meu travesseiro para fazer parar todos aqueles pensamentos. Eu tinha vergonha de me achegar a Deus. Eu achava que Ele não iria me receber. Eu duvidava do amor Dele. Afinal, existem seis bilhões de pessoas no planeta e Ele ama todo mundo mesmo. Como se Deus fosse obrigado a me amar, eu tinha desistido de mim. Não tinha parado de dançar, mas tinha desistido de investir em mim. Eu tinha uma ultima gota de esperança que Ele não desistisse de mim. Até suicídio passou levemente pela minha cabeça. Eu sabia que estava errada, mas tinha medo de me achegar a Deus e Ele não me responder. Eu não sabia por que temia, afinal Ele nunca tinha me deixado no vácuo.
Mas eu não conseguia falar para ninguém, nem para os meus líderes. Eu passava dias cansada e chorava quando não agüentava mais. Até um dia comecei a chorar do nada, sentindo angústias horríveis. Eu nunca chorava, mas dessa vez eu não conseguia parar. Eu me sentia um nada.
Eu ia para a igreja e colocava a minha máscara perfeita de “está tudo bem e sou feliz”, e passava despercebida por todos. Mas na verdade eu queria ajuda. Mas também tinha medo que se eu falasse pros meus lideres eles não iriam entender ou não dariam importância pra mim.
Então eu estava na escala da dança num sábado. Estava mal, mal mesmo. Eu, a Carol e a Endrieza estávamos dançando. Tudo estava estranho e frio aquele dia. Um clima tenso. Começamos o louvor normalmente. Mas tudo estava dando errado. Chegou a hora de revezarmos o espontâneo. Eu dancei toda sorridente, mas com a sensação de que Deus não estava nem aí pra mim. Então desci e a próxima a dançar era a Carol. Quando olhei para ela dançando, pensei: “Viu? Ela consegue chamar a atenção de Deus, você não. O que você está fazendo aí? Você não vale nada!”
Eu sentei no canto da parede e resolvi que não ia dançar mais. A Zá subiu e dançou, depois chegou a minha vez de novo e eu disse que não ia. Começou uma nova musica... Hosana. Eu sabia que tinha que subir. Pensei: “vou lá e coloco a mesma máscara e danço por dançar mesmo...”.
Mas quando subi e me uni ás meninas, eu comecei a chorar de novo. Só que dessa vez como um quebrantamento. Chorando amargamente. Eu me arrependia por pensar tudo aquilo, e estava com medo. Eu não conseguia dançar com elas. Acabou o louvor, desci chorando muito ainda, e quando vi, elas também estavam. Cada uma tinha passado por uma tribulação durante a semana.
Descemos, fomos orar, entregar nas mãos de Deus as nossas vidas e fomos conversar com nossos lideres. Eu não conseguia parar de chorar. E chegou a hora de subir pra dançar de novo. Mas eu estava com medo de subir. Então a Kelen chegou pra mim: “Meu Deus menina! Nunca te vi desse jeito! Deixa-me orar por você antes de você ir”. Ela me abraçou, orou e então disse: “Eu vejo uma menina sentada numa cama, e o Espírito Santo abraça ela...”. Na hora eu entendi que a menina era eu. Então chorei mais ainda. A Carol estava liderando a gente naquele dia. Ela me mandou dançar no altar enquanto ela e a Zá dançariam embaixo. Eu nunca tive medo de ministrar antes. Mas eu sabia que quando eu subisse ali estaria mostrando ao diabo que eu era vitoriosa e ele não me tiraria dali. Da presença de Deus.
E pela primeira vez eu dancei uma dança de liberdade. Uma dança com o coração rendido e genuína adoração a Deus. Eu sentia que estava no lugar certo, e o meu sorriso não era mais falso. Deus foi me dizendo que eu não devia ter ouvido o diabo, nem a mim mesma, e que Ele nunca me deixa e a minha dança tem um chamado SIM!
Mesmo depois desse dia eu passei por mais uns sufocos parecidos. Mas em tudo eu fui mais do que vitoriosa.
Hoje, Deus tem trabalhado no meu caráter e tenho buscado muito a Ele! Ele me resgatou de uma forma linda. Deus tem feito coisas lindas na minha vida. Humildade é uma conquista de cada dia!
Mas diante de tudo isso... Meu Pai (que literalmente me adotou como filha), Meu Jesus, e meu Querido Espírito Santo foram meu maior incentivo. Não consigo viver sem Eles!
“Te agradeço Deus que no deserto
Não me deixou morrer nem desanimar.
E como aquela mãe que não desiste
Você não se esqueceu, Você insiste!
Você mudou a minha história,
E fez o que ninguém podia imaginar
Você acreditou e isso é tudo
Só vivo pra Você, não sou do mundo!”

Bjão
Amo vcs
Cintia Sant'Anna

Cia Casa de Davi

A arte a serviço do Reino. 

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